Em setembro do ano passado tive a oportunidade de participar do maior evento de relações entre empresa-cliente do Brasil, o CONAREC (Congresso Nacional de Relações Empresa Cliente). O tema principal abordou as novas relações de consumo das empresas com o chamado “consumidor 2.0″, o qual, basicamente, caracteriza-se por ser um consumidor diferenciado, sendo que as pessoas não estão mais à mercê das empresas, e sim estas é que tendem a estar no encalço de seus clientes, uma vez que a concorrência e a liberdade de escolha nunca estiveram tão evidentes, o que deixa o cliente com a “faca e o queijo na mão”. Muito se debateu sobre as ações que as empresas podem tomar para atrair este novo perfil de consumidores, foram sugeridas estratégias de marketing, ações gerenciais, etc.
Mas o que estou querendo dizer com isso, e o que isso tem a ver com usabilidade? Eu diria que simplesmente tudo. A correlação dos temas abordados no congresso com a usabilidade é muito evidente, haja vista que o “consumidor 2.0″ não apenas compra telefone celular e assina TV a cabo. Esse consumidor também utiliza softwares e, normalmente com maior frequência, navega na internet.
Sinceramente, você acha coerente que, por exemplo, uma empresa que até coloca seu nome como “dono” dela (como na campanha publicitária do Banco do Brasil) tenha um site completamente estático e imutável? O topo é sempre amarelo, o fundo é sempre branco e a fonte é sempre azul… Isso é realmente impossível de ser modificado?
É claro que pode-se dizer que, por questões de marketing, o site precisa manter as cores da empresa, que não se pode dar a liberdade de o cliente colocar o site preto e vermelho de uma empresa verde e amarela. Mas por outro lado, creio que não seja necessário (nem aconselhável) que o usuário tenha liberdade total, o que geralmente é perigoso. Na minha opinião seria totalmente plausível e recomendável dar ao usuário diferentes opções de temas, gravando-as em cookies, para que da próxima vez que o cliente acessar o site seu tema preferido seja carregado.
A maior aplicação que vejo para este tipo de personalização é justamente para os sites de acessos mais frequentes, como por exemplo sites de esportes e notícias em geral, principalmente por este tipo de site ser acessado de qualquer lugar. Muitos deles são bem coloridos e chamativos, o que pode ser inadequado (ou indesejado) de acordo com o lugar de onde é feito o acesso. O que poderia ser feito, por exemplo, seria disponibilizar “perfis” de exibição, semelhante ao que acontece com telefones celulares, que possuem perfis para ambiente silencioso, ambiente barulhento, modo avião, etc. Para os sites poderia haver, por exemplo, um pefil “discreto”, para que o usuário possa ler suas notícias em um site com cores básicas, sem chamar muita atenção. Poderia haver também perfis de acessibilidade, para que pessoas com problemas de visão (miopia, daltonismo, etc) possam melhor visualizar o conteúdo do site. Enfim, inúmeras seriam as possibilidades deste recurso, se assim valorizado e implementado pelas empresas e seus webdesigners.
O que as empresas têm a ganhar com isso? Clientes mais satisfeitos, com maior sensação de liberdade e de preocupação da empresa com suas preferências. Maior número de acessos, uma vez que o usuário passará a acessar o site em lugares onde antes não acessava por receio de chamar a atenção, além do acesso de pessoas com problema de visão que antes não conseguiam ou tinham dificuldade de visualizar o site.
O que a empresa tem a perder com isso? Sinceramente, não vejo possíveis prejuízos, uma vez que o tema padrão seria mantido, e quem não quiser saber se personalização não seria afetado.
Vale ressaltar que essa personalização pode se estender para demais elementos do site além do esquema de cores, a minha intenção foi de apresentar um exemplo do que poderia ser feito para que as empresas adequem seus sites ao consumidor moderno e à liberdade e preocupação que este cliente (cada vez mais) exige.
Felipe Massardo
Consultoria: felipe_massardo@yahoo.com.br