Use Ability – Blog da Usabilidade

02/09/2008

Usabilidade x Publicidade

Filed under: Prática — massardo @ 17:09
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Não são raros os casos de sites que começam como uma simples brincadeira e acabam por enriquecer seus criadores. Todo mundo já ouviu falar de alguém que fez um site sozinho, do nada, e ficou rico. Não falo apenas de negociações bilionárias, como o youtube, que no ano passado foi vendido para a Google por bilhões de dólares, mas também dos sites mais modestos, que não dão bilhões, mas muitas vezes rendem muito mais do que “trabalhar duro”.

Os sites “da moda” são os blogs. Sites estes que já tiveram seu auge, na época do “boom” do site pessoal, onde os internautas que não tinham conhecimento de programação web (ou saco pra mexer no Front Page) tinham no blog uma oportunidade de ter seu próprio website.  Não demorou e a febre passou. Quando deixou de ser uma novidade e ninguém mais queria entrar nos blogs para saber como foi o dia de seus amigos (sim, eram quase todos “diários”) eles foram abandonados. Porém, alguns “sobreviveram”, e acabaram mudando o foco dos blogs, não mais agora um espaço pra contar como foi seu dia, mas tornando-se um novo gênero de sites que não consigo encaixar em uma “categoria” adequada. Atualmente, os blogs são sites (geralmente humorísticos) onde se encontram piadas, vídeos, fotos, montagens, enfim, um lugar onde os usuários aproveitam um “tempinho livre” pra buscar um conteúdo rápido, geralmente engraçado ou divertido. Com o sucesso deste novo “rumo” dado aos blogs, a onda voltou, e os blogs humorísticos já estão disseminados, encontram-se aos montes.

Este exemplo dos blogs ilusta onde quero chegar, ou seja, estes blogs que hoje fazem sucesso, começaram como uma simples brincadeira, e hoje rendem muito mais do que os criadores jamais esperavam. O problema é que, na internet, a única forma de ganhar dinheiro regularmente sem vender nada, é através de publicidade. Ninguém paga pra acessar um site, já se tentou anteriormente e não deu certo. O que fazer então? A solução foi simples: espalhar vários banners de todos os tamanhos nos sites. Aí que entra a divergência da publicidade com a usabilidade. Sim, é óbvio que, do ponto de vista da usabilidade, jamais um site teria banners de publicidade. Não só pela poluição que eles causam, mas também pelo transtorno pelo qual forçam o usuário a passar.

Muitos destes artifícios comerciais chegam a ser apelativos, tentando persuadir o usuário de todas as formas, praticamente (às vezes literalmente) implorando pelo clique. É muito comum (inclusive em grandes portais) banners com pequenos joguinhos em flash, que induzem o “jogador” a completar uma tarefa prometendo um prêmio, muitas vezes ilusório… Outros chegam a agir de má fé, fazendo banners que anunciam um problema na máquina do usuário, pedindo para clicar nele para resolver, outros anunciam que o usuário ganhou um prêmio, bastanto clicar para recebê-lo. Para usuários experientes, parece ridículo que alguém clique nestes banners, mas o número de vezes que estes “truques” funcionam é muito grande, não fosse isso não estariam tão disseminados na internet.

Particularmente, fico impressionado com o nível de “apelação” por publicidade que existe na internet. Antigamente eram pop-ups pra todo lado, bastava clicar em um link e pronto, a barrinha do sistema operacional ficava aglomerada de sites publicitários. Hoje todos os browsers possuem bloqueador de pop-ups, mas não foi suficiente para frear o ímpeto pela publicidade a qualquer custo. Eu sempre me incomodava com os pop-ups, achei uma maravilha quando o firefox implementou o bloqueador, porém, sinceramente, não sei o que é pior: o site limpinho, bonito, sem publicidade e com pop-up, ou um site sem popup, mas com mais da metade do conteúdo ocupado por propaganda…

Banner publicitário de publicidade
Banner publicitário de publicidade

No meio dessa briga por publicidade a qualquer custo estão os “pobres” usuários. O dono do site pensa em ganhar mais, o publicitário pensa em disseminar sua marca… Mas afinal, quem pensa nos usuários?

Anteriormente citei os blogs por serem a “bola da vez” na internet, e cada vez mais aceitarem poluir seus sites em busca de retorno financeiro. Eu já deixei de acessar blogs que costumava visitar com frequência justo por ficar irritado com a quantidade de propaganda. E não só propaganda tradicional, mas também propaganda enganosa, daquelas que induzem que você clique para ver um vídeo legal e quando abre é propaganda…

O que me deixa apreensivo é o fato de grandes portais adotarem a mesma prática… Eu não consigo ler meus e-mails sem ver meia dúzia de banners somente até chegar na caixa de entrada. O único grande portal que conheço, o qual não se rendeu aos banners é o Google, mas parece que é por pouco tempo. Há um bom tempo vêm se estudando formas de tornar o orkut e outros produtos rentáveis.

Será que os banners vão se firmar como uma ditadura, e o usuário simplesmente terá que engolir? Infelizmente creio que esta é uma tendência que dificilmente se inverterá. Vide os canais de televisão, alguns tem mais intervalos comerciais do que programação, e os telespectadores já se acostumaram e nem reclamam mais… Porém há uma enorme diferença: não é tão fácil criar um canal de televisão como é criar um site, ou seja, a concorrência sempre pode ser ilimitada. Porém, o mercado publicitário tem uma capacidade impressionante de absorção, basta um site se destacar que logo perde metade do conteúdo para a publicidade.

Não sou contra publicidade em sites, até porque acho muito justo que os webmasters tenham retorno por seu trabalho “gratuito”, fazer um bom site com um bom conteúdo não é uma tarefa fácil e merece reconhecimento. O que não concordo é deixar os usuários de lado, exageros de publicidade, tanto na quantidade quanto no teor da “apelação publicitária”. Apenas gostaria de alertar os donos destes sites “remunerados” que, muitas vezes, uma publicidade a mais pode trazer muito mais prejuízo do que lucro, haja vista que a concorrência na internet está mais acirrada do que nunca, e basta um site dar mais retorno (isto é, mais “audiência”) do que o seu para que seu site perca também financeiramente. E, para aumentar a  “audiência”, o único caminho é pensar no usuário e agir em prol dele.

Felipe Massardo
Consultoria: felipe_massardo@yahoo.com.br

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